Por que muitos pais se sentem culpados?

Muitos pais não conseguem cobrar ou exigir um comportamento adequado dos filhos devido a sentimentos de culpa. O barulho que essa culpa faz em suas mentes os impede de ouvir a voz da razão, a voz de seus filhos ou mesmo a voz de Deus.

Para resolver esse problema, é necessário fazer as pazes com Deus, restabelecendo com Ele um relacionamento íntimo e satisfatório; fazer também as pazes consigo mesmo, exercitando o autoperdão, atentando às razões e intenções que os levaram a errar no passado. É preciso também fazer as pazes com seus próprios pais, restaurando, pelo perdão, o relacionamento entre pais e filhos. É preciso aceitar que a perfeição não existe, de forma que todos os pais perdem e ganham em sua paternidade.

Diversos motivos inculcam nos pais a este sentimento de culpa. Entre eles, quero ressaltar:

1) Pais com rancor dos próprios pais (filhos de “tiranos”)

São aqueles que foram subjugados a uma vida sofrida, quase sempre desprovida de demonstrações de amor, atenção ou afeto físico. Esses pais pensam: “Farei diferente dos meus pais, serei muito bom para meus filhos. Meus filhos não sofrerão injustiças, castigos físicos ou qualquer outra forma de agressão como as que sofri”.

2) Pais divorciados

Na sociedade de hoje, em que há muitas famílias em que os pais são divorciados, vemos conflitos dos quais as crianças se aproveitam. Os pais acabam cedendo à chantagem emocional dos filhos por sentirem culpa, pensando: “Meu filho não convive com o pai (ou com a mãe): então, merece uma compensação”. Assim, permitem que os filhos façam o que querem, dando-lhes uma liberdade desmedida. O resultado será filhos desajustados e sem limites.

3) Pais que se casam novamente

Se há um segundo casamento, a situação é ainda mais difícil. Esses pais se veem obrigados a assistir o filho entrando em conflito, disputando-o com a nova esposa (ou novo esposo) e com os filhos desse segundo casamento. Normalmente, esses pais tendem a dar tudo o que esse filho quer para “calar a voz” de suas próprias culpas.

4) Pais ausentes

Muitos jovens e adolescentes filhos de pais ausentes envolvem-se facilmente com drogas e outros vícios. Eles têm dificuldade em crer que Deus é provedor, pois o que conhecem de paternidade é o abandono. Nós representamos Deus na Terra, somos a expressão do Seu caráter e da Sua Palavra para os nossos familiares, amigos e, principalmente, para os nossos filhos. Se os abandonarmos, eles não se sentirão dignos do nosso amor e pensarão que Deus também os abandonou por não serem dignos do amor Dele.

Existem também muitos pais que, mesmo presentes no lar, são ausentes para seus filhos. São pais que se omitem de suas responsabilidades, crendo que não obterão êxito em rencaminhá-los só porque eles já não são mais crianças. Podem ter-se omitido durante anos, mas devem acreditar que, enquanto os filhos estiverem sob a sua tutela, podem recuperar a autoridade, tornar-se presentes e resgatar esses filhos. Lembre-se que, na maioria das vezes, a rebeldia e mau comportamento desses jovens quer dizer: “Pai (mãe), estou aqui! Olhe para mim! Converse comigo!”.

5) Pais “todo-poderosos”

Pais que são inacessíveis, que nunca estão disponíveis, que não podem ser incomodados, nem interromper o que estão fazendo para dar atenção aos filhos. Geralmente, esses pais contam com a cumplicidade do cônjuge, que diz aos filhos: “Não incomodem seu pai/mãe, ele(a) está ocupado(a). Vocês não sabem que ele(a) não tem tempo?”.

6) Pais exigentes

Muitos pais pensam que se forem exigentes poderão prejudicar a saúde emocional dos filhos. Entretanto, pesquisas indicam que filhos de pais exigentes alcançam muito mais sucesso do que os filhos daqueles que não o são. Os pais têm o dever de exigir que seus filhos zelem pelos ensinamentos que lhes foram passados, que se firmem nos estudos e que levem a sério tudo o que fizerem. Os pais não devem temer corrigir seus filhos quando estes estiverem se desviando da conduta que lhes foi orientada.

“Se você se sente sozinho, é porque construiu muros, em vez de pontes!”