Será que estamos também terceirizando as relações familiares?

“Em tempos de globalização, será que estamos também terceirizando as relações familiares? O ato de terceirizar está definido como o de atribuir – transferir a terceiros as funções das quais não damos conta, por diversos motivos. Com base nessa definição, cabe a pergunta: será que é possível terceirizar a função de pais? É possível terceirizar afeto? É possível terceirizar amor?

Como terceirizar aquele contato caloroso que a história contada aos pés da cama proporciona a pais e filhos antes do sono? Um contato que une, olho no olho, revela verdades, desvenda os mundos de cada um. Uma presença necessária da comunicação, considerada por vários autores como facilitadora da saúde emocional dos membros da família. Podem ser terceirizados os jogos e as brincadeiras, tão importantes e pouco existentes nas famílias atuais?

É possível terceirizar o ato de ler e escrever? Referimo-nos aqui ao ato de ler mundo, de aprender valores morais e éticos, além do ato de escrever a própria história à mão, compartilhada com aqueles com os quais aprendemos a confiar na primeira célula da sociedade, a família. Como terceirizar as primeiras aprendizagens?

Como terceirizar o colo de pai e mãe? Colo? Aquele carinho tão necessário para derrubar a insegurança e a angústia do crescimento, que enxuga as lágrimas da perda, que equivale a dizer “estou a seu lado”. É possível terceirizar o afago, a afeição física, considerada fundamental para o crescimento emocional saudável? E a massagem terapêutica, o toque curativo, o beijo no “dodói”?

Soluções? Não as temos.

Sugestões? Nenhuma.

Cada ser humano, ao dar a origem a outro ser humano, traz consigo o milagre da vida: as receitas estão na soma da intuição, da observação e reparação, além da aprendizagem instantânea, que são proporcionadas pela experiência.

De que formas os pais da realidade pós-moderna podem fazer a diferença na vida dos rebentos? Não perdendo de vista a magnitude da missão que lhes foi concedida: Recriar a vida!

 É, é impossível terceirizar relacionamentos!!”