O Estado tem responsabilidade na criação dos filhos?

Em 1929, o filósofo Bertrand Russell fez uma previsão surpreendente que de fato ocorreu 100 anos depois. A previsão de Bertrand Russell foi esta: A função de Pai de Família está sendo lentamente usurpada pelo Estado, e acredito que um dia o pai deixará de ser um ente biológico para os filhos, pelo menos entre a classe de trabalhadores.

Se isto ocorrer, é de se esperar o fim da família, casamento, dos valores morais, uma vez que não haverá razão para uma mulher desejar que seu filho tenha um pai presente.” Tudo isto previsto em 1929, tempo suficiente para a Igreja, a classe média, os intelectuais, os formadores de opinião, os pais de família tomarem uma atitude e impedir o fim da família como base da sociedade.

E nossa Constituição é bem clara quanto a isto: Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.Mas esta família foi sendo minada, especialmente começando pelo papel do homem. Nos Estados Unidos, 90% das Mães Negras vivem solteiras, com uma ajuda de custo generoso do Estado.

Obama perdeu as eleições para Mitt Romney, se não computarmos os 99% de votos que ele obteve de 4% da população, que eram as mães solteiras.Tão generoso é este subsídio, que muitos homens negros se sentem compelidos a abandonar sua família, para que estes possam melhorar seu padrão de vida.

E hoje o homem negro é visto como sendo insensível e irresponsável com relação a família. Totalmente diferente do negro escravo, que quando liberto fazia tudo para reencontrar a sua própria família.O negro é muito mais família que o branco, mas não é isto que ocorre nos Estados Unidos de hoje. No governo Fernando Henrique Cardoso, por inspiração de Ruth Cardoso, o PSDB implantou o Bolsa Família, que o PT ampliou com sucesso.

Até aí tudo bem. Famílias abaixo da linha de pobreza precisam de um empurrão para se tornarem auto-sustentáveis, objetivo de todo governo ou sociedade que procura igualdade e justiça social.

Mas notem um detalhe sutil.

O dinheiro é distribuído para a mulher, sob o pretexto de que homem é um bêbado e irá torrar tudo em mulheres e bebidas. O detalhe pode ser bem intencionado, as mulheres de fato cuidam melhor do dinheiro, mas que recado isto traz para o marido pobre e fracassado?

Nem como provedor mais ele serve, um recado que não irá melhorar a sua autoestima, bem como suas chances de sair da miséria e da dependência do Bolsa Família. Exatamente como previu Russell, o estado iria lentamente minar a função do pai. Ao contrário da Idade Média, pai hoje não ensina sua profissão para o seu filho. Ele não tem o raro prazer de mostrar “os segredos da profissão”, as inovações que o pai inventou, o prazer de ver o seu filho crescer e seguir o seu exemplo.

Hoje o ensino é terceirizado, para as Universidades públicas e privadas, e filho que segue a profissão do pai é muitas vezes ridicularizado. Mas não são somente os pais de pobres que estão perdendo a sua função. São pais de ricos e da classe média que estão perdendo a sua essência de provedor da família. Hoje, um pai de classe média perde 60% de sua renda que vai direto para o Patrimonialismo de Estado, via descontos na folha e impostos sobre o consumo e renda. Hoje homem é provedor do patrimonialismo do Estado, sustentando a cidade com a maior renda per capita do Brasil, que é Brasília.

Hoje a sua mulher tem que trabalhar também, porque o homem não consegue pagar estes impostos sozinhos. De 1914, quando os impostos eram 10% do PIB, e hoje são 40%, quase todo o rendimento trazido pela mulher casada que trabalha, vai para sustentar o patrimonialismo de estado, ela sequer está ajudando a sustentar a família, como ela acredita.

Não é à toa que a mulher brasileira está cada vez mais insatisfeita com a vida, com o trabalho e com o seu próprio marido. Todo trabalho da mulher feminista parece ser em vão, as finanças de sua família não melhoraram, o padrão de vida de seus filhos não melhoraram, apesar do seu enorme sacrifício. Por isto também, hoje em dia filhos e filhas acham, com razão, que nada devem aos pais e sim ao Estado generoso e protetor. Estas ideias, devo repetir, não são minhas, mas uma previsão de Bertrand Russell, um dos grandes filósofos de seu tempo.